O dia começou como todos os dias, com o toque do telemóvel http://www.youtube.com/watch?v=FWCaWkgVvF0 (Os Azeitonas - Quem es tu miuda)
Corrido o estore, o dia parecia diferente do anterior, na luminosidade e na intensidade do vento que sacudia as roseiras no jardim e a copa das árvores no quintal. O abrir da janela indicou-me que poderíamos estar na presença de um dia quente, talvez não tão quente como eu gosto …vesti-me rapidamente porque o tempo que o relógio costuma marcar, não perdoa.
A viagem até ao local de trabalho foi igual á de todos os dias, autocarros que nem se afastam da faixa para recolher passageiros, peões indisciplinados que se metem a atravessar a rua em qualquer sítio a desafiar “atropela-me”, como se isso não me fosse estragar o dia, automobilistas dispostos a circular acima da velocidade permitida e a acender os semáforos controlados por sensores de velocidade, entrada retardada no Hospital porque os funcionários não traziam cartão e o pessoal da vigilância é lento a abrir a barra de entrada, numa entrada que diz ser para funcionários mas também serve de entrada para os utentes da Medicina Física e do Ambulatório…
O “passar do dedo” onde toda a gente passa, para controlar a entrada, “mova pra cima, mova pra baixo…”antes de começar a trabalhar, acontece a todos aqueles que não colocam o dedo certo, no sítio certo, de forma correcta…
Receber o turno, sem distracção possível na informação DADA porque o pessoal da noite já está cansado de cá estar… e toca a trabalhar, sem sobressaltos, até porque a chefia anda calma ao contrário de dias anteriores….
Tudo ás mil maravilhas, até à hora do pequeno almoço, bem a meio da manhã para retemperar…sol de pouca duração…
A náusea apoderou-se de mim, cruzo-me com uma ave rara, daquelas que os biólogos e ambientalistas têm dificuldade em caracterizar, assim do género, ave de rapina ou songa-monga, abutre ou outra espécie daquelas que ronda o céu, transformando os dias de Sol em escuridão com cheiro nauseabundo, carregado de putrefacção e rodeada de mil osgas carpideiras que murmuram entre si “ó mundo é nosso”….
Façam-me um favor …deixem o céu em paz, ele vê aquilo que um cego gostaria de ver.
O céu é lindo e a cor azul (mesmo sem ser a minha preferida) permite ver que o futuro pode e deve ser melhor….
Afastem-se cobras venenosas, que gostam de chamar à atenção e só sabem colocar cascas de banana e ficam à espera que alguém escorregue e caia para o cilindrar….
Decididamente…estou nauseado….mas continuo a acreditar que ainda é no céu que reside a esperança de dias melhores…
Ou será como a minha amiga Aia refere, estarei apanhado pelo cansaço de….
Qualquer coisa menos isso, convenhamos que desde que me faça passar a náusea eu fico melhor…