Para as minhas irmãs ....que aqui encontro:
Verdade que irmãs não tive!
Ou tive? Não sei, talvez.
Contudo, sei que as tenho
junto de mim outra vez!
Quem são elas?
Onde param?
Perguntam os seres malévolos!
Não sei, respondo-lhes eu
e olham para mim incrédulos!
Do mesmo pai não são filhas,
para quê, isso esconder?
Também não foram paridas
da mesma mãe podeis crer!
É um milagre do blogger
o reencontro afinal.
Pecados meus gostar delas,
em sonhos ...qual é o mal?
Tu, NINA, tens bem a alma
citada pelo Pessoa
"...tens um livro que não lês,
tens uma flor que desfolhas;
tens um coração aos pés
e para ele não olhas..."
Porquê? deixares-me assim?
Tu aí e eu aqui
somos irmãos pois então,
tu me queres e eu a ti!
E tu? GREEN, olhos verdes,
também Pessoa te toca,
"...baila o trigo quando há vento
baila porque o vento o toca
Também baila o pensamento
quando o coração provoca..."
AMARZITA, não me deixes
tão só, aqui nas ondas do mar
quando os irmãos te amam,
pode Pessoa cantar:
"...entreguei-te o coração
e que tratos tu lhe deste!
É talvez por estar estragado
que ainda não mo devolveste..."
E tu? XANINHA prendada,
minha irmã do coração,
também Pessoa me diz
que "...teu xaile de seda escura
é posto de tal feição
que alegre se dependura
dentro do meu coração..."
JAZZ, JAZZ sempre de saltos altos,
e no troar dos motores,
sofres por teres amores,
cantando Pessoa agora:
"...o guardanapo dobrado
quer dizer que se não volta.
Tenho o coração atado:
Vê se a tua mão mo solta..."
CORALINE, sempre em baixo,
nem pareces ser mulher,
manda tudo para o tecto,
ouve Pessoa dizer:
"...e assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
que se chama coração..."
MARY BROWN, tu bem sabes
que o tempo não volta atrás,
mas não consigo esquecer
que és uma das irmãs.
Para ti Pessoa diz:
"...Como a família é verdade!
meu pensamento é profundo,
estou só e sonho saudade.
E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!..."
CHICA, Chica...estás tão longe,
tão longe do meu deserto,
podia ficar mais triste
se o Pessoa não dissesse:
"...Dizem que finjo ou minto
tudo o que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
Écomo que um terraço
sobre outra coisa ainda..."
Mais irmãs eu tenho ainda
para poder aqui escrever.
contudo o tempo escasseia
e ainda há muito que fazer.
Pensais vós que me esqueci?
de vossos nomes, não é?
Cito-vos neste momento Pessoa:
"...que bom poder-me revoltar num comício dentro da minha alma!
Mas até nem parvo sou!
Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais.
Não tenho, mesmo, defesa nenhuma; sou lúcido.
Não me queiram converter a convicção: sou lúcido.
Já disse: sou lúcido.
Nada de estéticas com coraçaõ: sou lúcido.
Merda! Sou lúcido....!
Vós aí e eu aqui
somos irmãos pois então,
vós me quereis
e eu a vós!